Fonte: O Globo, Isabela bastos, 04/jun

Porto terá o maior prédio residencial do Rio

Edifício de 40 andares e 1.330 apartamentos fará parte de conjunto que será construído para as Olimpíadas

RIO – O conjunto de sete prédios que será construído na Zona Portuária para abrigar as vilas de mídia e de árbitros das Olimpíadas do Rio, em 2016, terá o maior edifício residencial da cidade, com 40 andares. Os prédios — de alturas variadas, o menor deles com 12 pavimentos — começarão a ser erguidos em janeiro de 2013, dentro do projeto Porto Olímpico, no terreno conhecido como Praia Formosa, nos arredores da Rodoviária Novo Rio. Serão 1.330 apartamentos de dois e três quartos, e servidores públicos municipais terão preferência na aquisição dos imóveis. Os compradores receberão as unidades em 2017. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), o projeto foi aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em maio.

Cada prédio do conjunto contará com cinco pavimentos de garagem. O maior dos edifícios terá, portanto, 35 andares de apartamentos, e sua altura vai superar a das torres do condomínio Athaydeville, na Barra da Tijuca. Para se ter uma ideia do tamanho do empreendimento, a torre do RioSul, em Botafogo, o maior arranha-céu do Rio, tem 44 pavimentos, já incluindo os cinco pisos do shopping.

Preço das unidades vai de R$ 345 mil a R$ 450 mil

De acordo com o presidente da Cdurp, Jorge Arraes, para viabilizar a compra das unidades pelos servidores, o Instituto de Previdência e Assistência do Município do Rio (Previ-Rio) deverá lançar, em agosto, uma linha especial de cartas de crédito. A previsão é que o fundo de pensão aplique cerca de R$ 500 milhões em empréstimos. Dos 1.330 apartamentos, 857 terão dois quartos e 473, três. O tamanho das unidades irá variar de 69 a 90 metros quadrados. Arraes informou ainda que o metro quadrado custará R$ 5 mil, o que fará com que os apartamentos saiam por valores entre R$ 345 mil e R$ 450 mil.

— Será uma obra por modalidade de administração. Os servidores comprarão os apartamentos com as cartas de crédito. O Previ-Rio não financiará a construtora. Teremos um decreto específico detalhando todas as condições. Nossa expectativa é de uma venda muito rápida, pois muitos servidores vêm buscando informações sobre a obra — disse Sérgio Lopes, diretor de Administração e Finanças da Cdurp.

Durante as Olimpíadas, as unidades serão usadas para abrigar a mídia não credenciada e os árbitros das competições. Os apartamentos de dois quartos funcionarão como se tivessem três dormitórios, já que as salas serão adaptadas. O objetivo é chegar a um total de 3.990 quartos nos sete prédios. O projeto Porto Olímpico inclui ainda dois hotéis de 500 quartos, cada um, somando 4.990 para os Jogos.

Enquanto um dos hotéis será construído na Praia Formosa, o outro ficará no terreno de uma usina de asfalto da prefeitura na Avenida Francisco Bicalho. Os dois locais abrigarão ainda centros de convenções que, juntos, terão três mil metros de área construída. As obras terão de ficar prontas até dezembro de 2015, quando as instalações olímpicas serão entregues ao COI para as adaptações finais.

Alterações no projeto aumentaram a metragem

A Cdurp espera que o consórcio Solace, que irá erguer os prédios, apresente os projetos executivos das obras em junho para análise da Secretaria municipal de Urbanismo. Os canteiros das obras deverão ser montados em outubro.

O projeto foi anunciado em março, durante uma visita da comissão de inspeção do COI, e sofreu algumas mudanças. Na ocasião, a prefeitura informou que seriam 1.800 apartamentos divididos em 16 prédios. As unidades seriam menores, variando de 55 a 70 metros quadrados. De acordo com Sérgio Lopes, o projeto Porto Olímpico foi enxugado para aumentar a metragem dos apartamentos. Pela previsão original, os quartos teriam, em média, sete metros quadrados. Na nova versão do projeto, passarão a ter entre nove a dez metros quadrados. As alterações foram influenciadas por uma pesquisa na carteira imobiliária do Previ-Rio. Segundo o estudo, os apartamentos que estavam sendo projetados não atendiam ao perfil que costuma ser procurado pelos servidores.

— As mudanças foram frutos da discussão do que queremos deixar de legado para a cidade. Temos que imaginar que esse será o primeiro grande projeto residencial do porto. Além de sua importância nas Olimpíadas, o conjunto de prédios será um produto com potencial de ditar regras numa região que queremos revitalizar. Os quartos eram muito pequenos. As novas plantas já foram aprovadas pelo COI — explicou Lopes.

Terreno deverá abrigar outros empreendimentos

A Cdurp informou que o posicionamento dos prédios também mudou. Na versão de março, ficariam mais próximos da Praça Marechal Hermes, onde fica o Terminal Rodoviário Padre Henrique Otte, perto da Rodoviária Novo Rio. Agora, os edifícios serão erguidos nos fundos do terreno da Praia Formosa, mais próximos da Rua General Luiz Mendes de Moraes. Essa alteração foi pedida pelo COI para garantir o perímetro de segurança das instalações.

Os prédios olímpicos serão os primeiros do terreno da Praia Formosa. De acordo com a Cdurp, a área tem potencial construtivo para mais edifícios — sua ocupação total poderá somar R$ 6 bilhões em obras imobiliárias. O terreno foi adquirido pelo consórcio Solace à Caixa Econômica Federal, que administra o fundo imobiliário dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos criados pela prefeitura do Rio no ano passado.